Work Text:
Todos os dias, no final do expediente, Hyunjin limpava as prateleiras de sua loja de camisetas personalizadas e varria o chão para ter alguns minutinhos de sono a mais no dia seguinte. Enquanto limpava, e escolhia uma música aleatória de sua playlist gigante, ouviu alguém ignorar a placa de “fechado” e entrar mesmo assim.
— A loja está fechada — disse, antes de olhar para trás.
— Hyunjin…
— Chris, o que aconteceu?
Largou o pano no balcão e foi até ele quando viu seu rosto triste, o nariz vermelho e os olhos ainda brilhando de lágrimas.
— Eu e Jeongin terminamos — falou, voltando a chorar.
— O que? Por quê? — Abraçou ele, apertando-o em seus braços.
Não. Era mentira. Impossível eles dois terem terminado. Christopher e Jeongin namoravam a pouco mais de três anos, o relacionamento deles era admirável, cheio de amor e cumplicidade. Hyunjin achava mais fácil acreditar em seus pais se separando, do que aqueles dois terminando.
— Ultimamente as coisas estavam estressantes, acho que por causa do trabalho, sei lá… A gente estava discutindo direto e hoje pegamos uma briga feia, tipo muito feia mesmo. E aí ele falou em terminar e eu só concordei e fui embora — lamentou, limpando as lágrimas enquanto fungava.
— Chris, vocês só estavam de cabeça quente. Isso pode ser resolvido.
— Não, Hyunjin. Eu não sei se quero voltar, pra ficar assim? Sempre brigando? É melhor não — suspirou e cruzou os braços.
— Ei, você só está chateado, mas isso vai passar.
— Acho que não…
— Então você vai desistir assim? Um relacionamento de três anos jogado fora por causa de uma briga? — perguntou, indignado.
— Não foi só uma briga, ele me chamou de inconveniente e disse que não sei quando calar a boca, eu não sei se quero voltar para alguém que acha essas coisas de mim.
— Chris, ele só estava irritado, aposto que você falou alguma coisa pra ele também!
— Não interessa, eu… eu não quero voltar. Chega, é melhor assim, prefiro sofrer de vez do que voltar e passar por isso de novo — disse, respirando fundo. — Preciso de um favor seu.
Hyunjin esfregou os olhos, sabia que seu melhor amigo era cabeça dura, ele sempre foi assim, então não ia ser fácil ele voltar atrás.
— Que favor?
— Amanhã tem um jantar da empresa e todo mundo vai levar um acompanhante. A gente sempre ia juntos, você sabe, mas agora… Eu não tenho quem levar — falou, soltando um suspiro.
— E você não pode ir sozinho?
— Não, claro que não! Com certeza Jeongin vai levar alguém, eu não vou fazer o papel de bobo sendo um único sem companhia.
— Isso que dá namorar alguém da mesma empresa que você… Mas então, o que você quer que eu faça? — Hyunjin disse, balançando a cabeça.
— Quero que vá comigo.
— Ai não, Christopher. Você sabe que odeio essas coisas — resmungou, e ele segurou seus ombros.
— Por favor, Hyunie. Vai ser rapidinho, você vai ver! A gente pode sair antes de acabar e vai ter comida à vontade, pense nisso, você vai encher sua barriguinha e nem precisa conversar com ninguém, só ficar ao meu lado.
— Que saco — revirou os olhos.
— Por favor, por favor.
— Tá, tá, tudo bem… Mas eu só vou porque amanhã não tenho aula.
— Obrigado — Chris sorriu, abraçando-o rapidamente. — Eu tenho que ir agora, vou pegar minhas coisas que deixei na casa de Jeongin.
— Aproveite e tente se resolver com ele — sugeriu, e apertou a mão dele.
— Não… Dessa vez é definitivo, não tem mais volta — disse, sério demais. — Passo na sua casa amanhã às 20 horas em ponto.
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Hyunjin não era fã de roupas sociais, preferia suas camisas personalizadas, mas por sorte, achou uma calça social preta e uma camisa longa de botões, já era o suficiente para aquele jantar. Penteou seus cabelos como costumava fazer, deixando a franja certinha na testa, sem um fio fora do lugar.
Mandou mensagem para Chris, avisando que já estava pronto, e foi para a sala, esperar por ele.
Seu pai estava sentado na poltrona, assistindo TV e sua mãe preparando a mesa.
— Mãe, esqueci de avisar, vou jantar com o Chris hoje — Hyunjin disse, aproximando-se para guardar seus pratos.
— Nossa, que bonito! — ela sorriu, beijando o rosto dele. — Não teve aula hoje?
— Hoje não, só tinha aula de uma disciplina e o professor viajou para uma palestra.
Fazia um ano que Hyunjin tinha começado a faculdade de artes visuais. Demorou alguns anos para decidir qual curso fazer, por vezes, parecia não se encaixar em nada. Por isso, preferia arranjar trabalhos temporários para ajudar em casa e comprar suas coisinhas, Hyunjin passou alguns anos trabalhando em cafeterias, até assumir a loja de camisas personalizadas do seu pai.
Foi assim que Hyunjin descobriu sua paixão por desenhos, adorava criar artes e passar para as camisas. E foi assim que, aos 25 anos, ele conseguiu decidir qual curso gostaria de fazer.
Por ser o filho caçula, seus pais sempre o apoiaram em tudo, qualquer escolha que fosse e não negavam ajudar nas despesas com a faculdade, mas Hyunjin preferia pagar tudo do seu bolso, assim, sua mãe focava os gastos para os remédios do seu pai.
Ouviu a buzina do carro de Christopher chamar sua atenção. Hyunjin deixou um beijo na testa do seu pai e abraçou sua mãe antes de ir.
— Vou indo, prometo não chegar tarde — disse, sentindo sua mãe apertá-lo.
— Tome cuidado, querido e se divirta.
Se despediu deles e foi até Christopher, que estava muito bonito, usando um paletó chique e com certeza caríssimo.
— Uau, tem certeza que é só um jantar da empresa ou está tentando impressionar alguém? Hm, talvez… seu ex namorado? — Hyunjin provocou, fazendo-o revirar os olhos.
— Só para sua informação, eu e Jeongin terminamos pra valer, ok?! Ele me excluiu das redes sociais e eu bloqueei o número dele, agora somos apenas dois desconhecidos — disse, como se não tivesse se roendo por dentro. Hyunjin conseguia perceber.
— Nossa, não precisavam ir tão longe assim…
— Eu disse que está terminado, não tem mais volta.
Chris aumentou o som e começou a falar sobre o treino novo que ele estava fazendo, enquanto Hyunjin divagava, pensando como Christopher continuava com suas manias desde que o conheceu na escola, principalmente a teimosia.
Eles se conheceram na primeira série e se tornaram inseparáveis alguns anos depois. Christopher foi o amigo ideal que Hyunjin precisou para não continuar sendo tão tímido e envergonhado. Costumava passar os recreios sozinho, até ele começar a incluí-lo nas brincadeiras, e com o tempo, Hyunjin conseguiu se soltar e interagir. Apesar que, na época, ainda ficava sem jeito com algumas crianças.
Chegaram no restaurante e Hyunjin o acompanhou até a mesa reservada para o pessoal da empresa. Entraram na sala privada, onde já tinham alguns colegas dele, e seguiu Christopher até a ponta da mesa, onde ele se sentou.
— Eu sabia, eu sabia! — Chris disse, cerrando o punho.
— O que? — perguntou, mantendo a concentração nos pratos cheios de talheres. Pra que tantos?
— Jeongin trouxe o Felix.
Felix.
Hyunjin sentiu o corpo gelar e seu estômago revirar. Seguiu o olhar de Chris para o outro lado da mesa, onde Jeongin e Felix estavam.
Respirou fundo, escondendo as mãos por baixo da toalha da mesa para ninguém perceber seu tremor. Sempre que olhava para Felix, seu corpo tinha essa reação.
Hyunjin não sabia explicar o motivo, mas é como se ele estivesse olhando para uma divindade tão poderosa que seu coração acelerava e, automaticamente, seu corpo reagia.
Parecia que Felix tinha caído do céu. O sorriso encantador e o jeito carismático, encantava todos por onde passava. Hyunjin conheceu Felix na escola, estudavam na mesma turma, ele era um daqueles alunos que sentava na primeira fileira e todo mundo queria fazer grupo com ele. Por alguma razão, Hyunjin mal conseguia olhá-lo, suas bochechas queimavam e a voz sumia sempre quando Felix falava com ele.
Anos depois, quando Chris começou a se interessar por garotos e se apaixonou por Jeongin, Hyunjin descobriu que ele era amigo de Felix, e ficava se perguntando se ele também gostava de garotos igual a Jeongin.
Pensar nisso deixava seu rosto tão quente, como se fosse explodir. Parecia errado, algo que Felix não faria, na verdade, não ficar só com homens, mas com qualquer pessoa no geral. Alguém conseguia tocá-lo, mesmo com aquela inocência no olhar? Não, não acreditava que alguém era capaz.
— Olha o jeito que eles estão próximos, ah, eu sempre soube — murmurou, entredentes.
— Sempre soube o que?
Hyunjin desviou o olhar rapidamente quando Felix olhou para ele.
— Que Jeongin gosta dele! Era óbvio, aposto que terminou comigo para ficar com ele — revirou os olhos, e Hyunjin percebeu, pelo tremor na toalha da mesa, que Chris não parava de mexer as pernas.
— Você está viajando, eles sempre foram melhores amigos, tipo nós.
— Não, não, é diferente. Se você visse o jeito que ele fala sobre o Felix, saberia que não estou exagerando — cruzou os braços, e mais um pouco, sairia fumaça pelos ouvidos dele.
— Para com isso, Chris, está chamando atenção — beliscou o braço dele e olhou para a frente outra vez. — Aposto que ele trata Felix assim porque ele é inocente demais e precisa ser cuidado.
— Inocente? — soprou pelo nariz, rindo. — Não sei que inocência é essa que…
— Ai, não quero ouvir! Você está só implicando com ele porque está sentindo ciúmes.
— Ciúmes nada, a gente mal terminou e ele já me trocou — bufou, olhando para eles. — Olha, olha!
Hyunjin olhou rapidamente, confuso.
— Olha o braço ao redor do Felix, eles estão mesmo juntos.
Hyunjin sentiu seu coração acelerar quando viu Jeongin falando algo no ouvido de Felix. Torceu o nariz, odiando aquela ardência no peito que ele mal entendia o motivo.
— Não é nada demais — Hyunjin murmurou, engolindo em seco.
Não é nada demais, eles só estão conversando, Felix está rindo de alguma piada sem graça que o seu melhor amigo contou, não é nada.
Tentava se convencer.
— Chega, não vamos ficar olhando para eles, não quero saber desse traíra, pois se ele quiser, engula Felix, eu não ligo.
Não, meu Deus. Não. Felix não.
— Para de drama, Chris — disse, dando uma cotovelada discreta nele. — O jantar vai começar a ser servido, foca na comida que é melhor.
— Perdi até a fome.
— Pois eu estou faminto! — mentiu, na realidade, tudo ainda estava revirando por dentro.
Mas Hyunjin tentou ignorar aqueles sintomas estranhos. Tentou, inúmeras vezes, não olhar para aqueles dois do outro lado da ponta, rindo, conversando e se divertindo. E tentou, principalmente, ignorar o aperto doloroso no peito.
Hyunjin se distraiu com o celular algumas vezes quando Chris começava a conversar com algum colega do trabalho, era isso ou ficar olhando para Felix e aquela não era uma opção, então mexer no celular parecia mais seguro.
Depois que a sobremesa chegou, Hyunjin devorou e ainda comeu a do Chris, porque ele não gostava de doces.
— Preciso ir ao banheiro — Hyunjin disse, depois de melar seus dedos com a calda grudenta do pudim.
— Vai, quando você voltar podemos ir embora — falou, e voltou a atenção ao colega ao lado.
Hyunjin foi ao banheiro, aliviado por não ter ninguém. Esfregou as mãos embaixo da torneira, enquanto cantarolava uma música que não saía de sua cabeça. Estava tão distraído que nem percebeu uma das cabines abrir.
— Oi, Hyunjin.
Sentiu seu corpo congelar quando reconheceu a voz. Arregalou os olhos, ainda com a cabeça baixa, e engoliu em seco quando sentiu o corpo dele bem ao lado do seu.
— F-Felix… Oi.
Olhou para ele, para o sorriso brilhante, os cabelos loiros divididos ao meio, as sardinhas enfeitando embaixo dos olhos, e toda aquela beleza descomunal que apenas um anjo poderia ter.
Passou tanto tempo focado em sua sobremesa que nem ao menos se deu conta que Felix não estava na mesa.
— Está sujo aqui — ele disse, apontando para o canto da boca.
Hyunjin se olhou no espelho, a boca estava melecada, suas bochechas vermelhas e as pupilas dilatadas. Rapidamente, começou a esfregar os lábios, arrancando uma risadinha de Felix.
Puxou o papel e limpou as mãos e a boca, rezando para não ter ficado mais nada sujo. Quando olhou para Felix, ele estava encostado na pia, com os braços cruzados e sorrindo para ele.
— Você é meio fofo — disse, sem parar de sorrir.
— Ah, eu… Obrigado, eu acho? — falou, e quase suspirou frustrado. Como era um idiota.
Ele assentiu e se virou, ajeitando a franja enquanto se olhava no espelho.
— E esse término do Chris e Jeongin, hein? Que droga — falou, suspirando.
— Pois é, podiam se resolver, mas acho que está difícil agora.
— Jeongin está achando que vocês estão juntos — Felix falou, olhando para ele pelo reflexo. — Vocês estão?
Arregalou os olhos e balançou a cabeça várias vezes, negando.
— Eu e o Chris? Claro que não, ele é meu melhor amigo.
— Eu disse a Jeongin, mas ele ficou a noite toda falando “o Christopher sempre foi doido pelo Hyunjin, aposto que agora estão juntos” blá blá blá — revirou os olhos, fazendo-o rir.
— Engraçado, Chris falou a mesma coisa.
— Que saco, eles são dois teimosos — resmungou, virando-se para Hyunjin.
Foi inevitável não desviar os olhos, céus, não conseguia encará-lo demais, parecia que ficaria cego a qualquer momento com toda aquela áurea brilhosa ao redor. Um verdadeiro anjo.
— Sabe de uma coisa? A gente deveria arranjar um jeito de fazer eles voltarem — Felix disse, apoiando a mão na cintura. — O que acha?
— Eu apoio, mas como?
Felix mordeu o canto do lábio e olhou para cima, pensando, enquanto Hyunjin sentia sua respiração falhar.
— Eu vou pensar em algo e te falo — sorriu. — Segunda vai ter apresentação da turma da sua sobrinha, você vai?
Hyunjin assentiu rapidamente, ignorando o fato de que tinha trabalho e deixava a loja o dia todo aberta, mas não importava, a apresentação de sua sobrinha era mais importante.
— Perfeito, até lá eu penso em algo e te falo — disse, e se afastou. — Vou indo, até segunda.
— Até… — soltou um suspiro quando ele saiu e fechou os olhos, amaldiçoando-se por parecer tão tonto.
Quando voltou para a mesa, Felix já tinha ido embora. Ele e Chris não demoraram para partirem. Agradeceu pelo o jantar e afagou o ombro do amigo, oferecendo seu consolo se precisasse. Chris apenas revirou os olhos e disse que já estava bem.
Antes de se deitar, Hyunjin lembrou de Felix. Ele estava muito lindo no jantar, e pensou como não estava acostumado a vê-lo com aquelas roupas. Normalmente, quando o encontrava, Felix estava usando roupas leves e cheio de pinturas no corpo por causa do seu trabalho como professor de educação infantil.
Mal esperava a hora de encontrá-lo outra vez, e o admirar como costumava fazer quando eram crianças.
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Quando a segunda-feira chegou, Hyunjin pegou carona com Minho, seu irmão, para assistir a apresentação da sobrinha na escola. Ao chegar, procurou por Felix com o olhar e quando o encontrou, vestido de fada, sentiu o coração se derreter.
Hyunjin sentou em uma das cadeiras do fundo para assistir, mas seus olhos não saíam de uma pessoa específica, que sorria para as criancinhas incentivando-os a cantar.
Como era possível? Ele carregar aquela atmosfera tão pura que não parecia nem ser desse planeta. O rosto brilhava, iluminado não só pela maquiagem, mas também pela luz natural que irradiava dele. Era impossível controlar as batidas exageradas do seu coração, como se gritassem por dentro, querendo atenção dele.
A apresentação chegou ao fim e Sohye, sua sobrinha, correu até eles, pulando no colo de Hyunjin. Ela gargalhou, enquanto ele a enchia de beijos no rosto.
— Você estava perfeita, princesa — sorriu, apertando-a um pouco mais.
— Eu não era a princesa, titio. Eu sou o gnomo — disse, apontando para o chapéu na cabeça.
Hyunjin riu, confirmando.
— Sim, verdade. Erro meu.
— E a atenção vai ficar toda pro tio? Cadê o abraço do papai? — Minho disse ao seu lado, de braços cruzados e bico emburrado.
— Eu sou o favorito — Hyunjin mostrou a língua para ele, e segundos depois, Felix apareceu em sua frente.
— Sohye foi incrível, ela se apresentou muito bem, nossa melhor gnomo, mas não diga isso para as outras crianças — ele sorriu, fazendo-a gargalhar e mandou um beijinho para ela.
— Na próxima apresentação, eu quero ser uma fada igual ao tio Felix — ela falou, enquanto esticava os braços para Minho pegá-la.
— Vai ser, eu prometo! — Felix disse, fazendo-a pular nos braços do pai.
— Cadê a mamãe?
— Foi comprar algodão doce para você — beijou o rosto dela e olhou para Hyunjin. — Eu vou procurar ela, volto já.
— Tá bem.
Hyunjin ficou sozinho com Felix e quase se derreteu quando ele deu um passo à frente. Prendeu a respiração por uns segundos, tentando controlar o tremor que começava a surgir em suas pernas. O coração continuou batendo rápido, como se tivesse corrido uma maratona. Até quando sentiria aquelas coisas sempre que Felix se aproximasse? Desde criança era assim.
— Jeongin encheu meu saco esse fim de semana, ele não parava de falar do Chris com você — revirou os olhos.
— Você está lindo de fada… — Hyunjin falou, mal prestando atenção no que ele estava falando.
— Ah, obrigado — riu e olhou para a própria roupa. — Não tinha asas do meu tamanho.
Hyunjin não concordava, as asas pareciam ideias para ele, assim como a roupa colorida e a varinha na mão. Tão lindo.
— Então, sobre o Jeongin, ele está pilhado com esse término, fica lamentando e amaldiçoando o Chris, não aguento mais — Felix continuou, soltando um suspiro. — Sabe, eu andei pensando em algo.
Olhou para ele atentamente, tentando se concentrar apenas nas palavras e não no rosto bonito demais para seu coração aguentar.
— Em que você pensou? — Hyunjin perguntou.
— E se a gente fingir que está saindo?
Hyunjin olhou surpreso, tinha ouvido certo?
— A gente? Tipo eu e você?
— Sim, eu e você — ele riu, e cruzou os braços. — Assim o Jeongin parava com essa cisma que você e Chris estão juntos, além disso, a gente pode arrastar eles em algum encontro ou coisa do tipo, e obrigada os dois a conversar de novo. O que acha?
Hyunjin engoliu em seco, concordando rapidamente, sem ao menos pensar direito.
— Acho… acho que pode funcionar…
Céus, onde estava se metendo? Mal conseguia ficar perto dele sem as pernas tremerem, como ia fingir que estavam saindo? Duvidava muito que isso fosse convencer Christopher, logo Hyunjin que mal ia em encontros.
Ainda mais com homens lindos, loiros e de aparência angelical como Felix.
Chris não acreditaria nele.
Mas talvez Jeongin acreditasse.
— Me passa seu número, eu vou combinar alguma coisa para a gente ir e convidamos eles, mas sem eles saberem ainda — Felix disse, entregando o celular em suas mãos.
Hyunjin assentiu e digitou o número, seus dedos suados erravam as teclas e ele precisava apagar o tempo todo para digitar certo. Que desastre. Respirou fundo quando conseguiu terminar e entregou o celular.
— Preciso ir agora tirar as fotos com as crianças, te mando mensagem — Felix sorriu, despedindo-se dele.
Hyunjin nem conseguiu responder, continuava estático, com os pés presos no chão e olhando para ele. Ele fingiria que estava saindo com Felix. O Lee Felix da escola. Aquela criancinha que o deixava sem palavras sempre que chegava perto. Aquele Felix, professor de sua sobrinha. Sim, Felix mesmo, o amigo do ex namorado do seu melhor amigo.
Ele só não sabia se conseguiria fazer isso.
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Durante a semana, Felix manteve contato por mensagem. Eles estavam planejando se encontrar no sábado, ele ia decidir o local. Hyunjin não conseguia tirar a imagem de Felix, vestido de fada, da cabeça. Passou a entrar mais vezes no instagram desde que se seguiram, só para olhar as fotos da apresentação.
Em um desses dias, Hyunjin começou a desenhá-lo com a fantasia. Passou a semana dedicado em seu desenho, e quando a sexta chegou, a primeira coisa que ele fez foi personalizar uma camiseta branca com o desenho de Felix.
Afinal, eles iam fingir que estavam juntos, então precisava presenteá-lo como um namorado faria. Se era para fingir, precisava fazer direito.
Hyunjin mal conseguiu pregar os olhos quando o sábado chegou. Estava ansioso desde que Felix marcou de se encontrarem em uma balada. Ele não tinha o costume de frequentar festas assim, na verdade, Hyunjin não era muito de sair, mas seria um bom lugar para colocar o plano em prática. Convidou Chris, que recusou seu pedido no início, mas depois aceitou quando Hyunjin disse que queria apresentar o cara que ele estava saindo.
Ele insistiu para saber quem era, mas Felix disse para não contar, era melhor que descobrissem no dia.
Hyunjin recusou a carona de Chris, disse que ele quem iria dirigindo dessa vez. Não tinha o hábito de dirigir o carro do seu pai, mas naquela ocasião, era necessário. Hyunjin se convencia que não tinha nada a ver com impressionar Felix.
— Parece que está cheio — Chris disse, olhando através do vidro.
— Espero conseguir achar ele — murmurou, concentrado na vaga em que estava estacionando.
— Você não vai me dizer quem é? E que novidade você saindo com outro homem, desde que Seungmin te dispensou achei que você tinha desistido.
Hyunjin revirou os olhos, não gostava de se lembrar disso. Passou meses para superar quando Seungmin terminou o namoro de dois meses para voltar com o ex.
— Eu já superei isso faz tempo — falou, descendo do carro.
— Meses atrás você estava stalkeando ele.
— Eu já disse que o perfil dele apareceu nas sugestões, não foi nada demais — fez careta.
Hyunjin realmente tinha procurado o perfil para olhar se Seungmin ainda estava namorando.
— Só não me diga que é ele — disse, olhando para ele, chocado.
— Claro que não — bufou, aproximando-se da entrada. — Vem logo, ele já está me esperando.
Pagaram os ingressos e passaram pelos grupos amontoados na pista. Hyunjin odiava tanto lugar apertado assim, com aquela música alta que ninguém conseguia conversar, e as luzes piscando o tempo todo, que o deixava perdido. Quase se arrependeu de ter marcado o encontro lá, mas quando viu Felix do outro lado, sentado ao lado de Jeongin, apenas esperando por ele, nada parecia incomodar mais.
Sorriu quando ele acenou e se levantou. Hyunjin foi recebido por um abraço, Felix sussurrou alguma coisa em seu ouvido que ele não entendeu.
— Peraí, você está saindo com o Felix? — Chris gritou em seu ouvido.
— Sim — assentiu, sorrindo.
— Nem fudendo — balançou a cabeça, negando.
— Por que não?
— Chega de tanta conversa, Chris — Felix resmungou, puxando Hyunjin para sentar ao seu lado.
Sobrou apenas a cadeira ao lado de Jeongin, que ainda fulminava Felix com o olhar. Notou Christopher engolir em seco e acomodar ao lado dele, porém, mantendo uma distância exagerada. Eles não se olharam e nem ao menos falaram um “oi”. Ficaram os dois, olhando com ódio, para Hyunjin e Felix.
— Acho que eles não gostaram da ideia — Hyunjin falou no ouvido dele.
— Problema deles, vão ter que aceitar — disse, e abriu a cerveja que tinha acabado de chegar. — E então, como estão as coisas no trabalho, meninos?
Felix perguntou a eles, fazendo Jeongin bufar e Chris revirar os olhos.
— Fala sério.
— O que? Quer saber? Vocês são chatos demais. Vem, baby. Vamos dançar. — Felix deu um gole na cerveja, colocou a latinha na mesa e arrastou Hyunjin para a pista de dança.
Dançar? Que desastre. Hyunjin não sabia dançar. Nem estava acostumado a ouvir aquelas músicas, como ia saber dançá-las?
— F-Felix… eu não sei dançar assim — falou para ele, enquanto o maldito tremor circulava em seus pernas.
— Só segura minha cintura e acompanha meus passos, eu vou ficar vigiando eles dois — puxou suas mãos para a cintura e circulou seus ombros.
Hyunjin olhou para cima e respirou fundo, tentando acalmar aquela agitação martelando no peito. Não era todo dia que chegava tão perto de Lee Felix assim, e sinceramente, a sensação parecia igual quando ainda era criança.
Apertou a cintura dele quando Felix juntou seus corpos. Fechou os olhos por um momento quando o cheiro doce do perfume parecia o enfeitiçar. Rezava para Felix não sentir as batidas exageradas do seu coração, pois estavam tão fortes que chegava a doer.
— Eles ainda nem se falaram, só estão olhando pra cá — Felix resmungou. — Vai, mexe os pés, precisamos dançar.
Hyunjin assentiu, tentando acompanhar os passos, que não combinavam nada com aquele tipo de música. Felix parecia não se importar com o ritmo do som, ele estava mais focado em viajar os dois. Já Hyunjin, sentiu as pálpebras pesarem quando Felix falou algo em seu ouvido, ele não escutou e também não pediu para repetir, apenas puxou a cintura dele para mais perto e sorriu.
— Au, meu pé — Felix resmungou, afastando-se.
Começou a pular com uma perna, seu dedinho devia estar latejando. Céus, ele era muito desatento. Como não prestou atenção no pé dele? Hyunjin nunca mais tentaria dançar assim outra vez.
— Felix, me desculpa — choramingou, sentindo-se culpado demais. — Me desculpa, eu não vi.
— Tudo bem — ele tentou sorrir, mas a careta no rosto, deixou nítido que ainda doía.
— Eu te disse que não sabia dançar…
Que vergonha. Por que não prestou atenção? O que Felix ia pensar dele?
— Essas coisas acontecem — suspirou, apertando seu ombro. — É melhor a gente voltar pra mesa.
Felix segurou sua mão, levando-o de volta. Quando chegaram, ele olhou para os meninos e sorriu.
— Voltamos! Hyunjin não queria dançar — gargalhou, roubando a cerveja de Jeongin já que a dele ficou quente.
— Não queria dançar ou não sabia? Eu vi ele pisando no seu pé — Chris implicou, revirando os olhos. — Já posso ir embora, Hyunjin?
— O que? Por quê? Vocês chegaram agora — Felix interrompeu.
— Vocês acham mesmo que eu estou acreditando nisso? Faça-me o favor, Felix — resmungou, negando.
— Para de ser assim, Chris — Hyunjin tentou argumentar, mas ele não queria saber.
— De repente você e o Felix estão juntos? Vocês nem se falavam direito — continuou Christopher.
— Conversamos no dia do jantar e peguei o número dele, qual o problema? — Felix disse, dando de ombros.
— Eu não consigo acreditar nisso.
— Quer saber? Você é um chato, Christopher — Jeongin, finalmente, olhou para ele. — Como sempre sendo inconveniente.
— Oi?
— Você não vê o que está fazendo? Duvidando do seu melhor amigo? Você acha isso legal, hm? Sabe, são essas coisas que me fizeram cansar de você — falou, deixando Felix e Hyunjin boquiabertos.
— Você já me falou essas coisas, Jeongin, nenhuma novidade — revirou os olhos.
— Falei e você continua fazendo a mesma coisa, você não muda.
— Chega, eu não tenho que ficar aqui ouvindo isso. Eu vou embora.
Christopher levantou, deixando-os sozinhos.
— Eu preciso ir atrás dele — Hyunjin disse e o seguiu.
As coisas só pioraram. Não bastava ter pisado no pé de Felix, ainda tinha que acalmar a fera depois de ser esculachado outra vez pelo o ex namorado. Christopher não ia lhe perdoar nunca.
— Chris, espera — segurou o braço dele.
— Eu vou embora.
— Calma, eu vou te levar — suspirou.
Hyunjin estava frustrado, não era para a noite terminar assim. Esperava, ao menos, que os dois voltassem a se falar, mas na verdade, ele e Felix só pioraram a situação.
— Não acredito que você fez isso comigo, Hyunjin. Podia ter me avisado.
— É que eu…
— Isso foi ideia do Felix, não é? Você não tem mentalidade para pensar nessas coisas — respirou fundo.
— Ué, você acha que não consigo sair com um homem como Felix? — perguntou, sentindo o coração palpitar.
No fundo, sabia o que Chris estava querendo dizer, mas ele não podia se entregar tão rápido.
— Eu… eu acho que sempre fui meio apaixonado pelo Felix e finalmente criei coragem para conversar com ele…
Falou, mas aquelas palavras continuaram rondando sua mente, como se ele estivesse se confessando, e não inventando uma mentira para disfarçar.
— Eu sei disso, você não sabia disfarçar muito, mas eu… Ah, Hyunjin, isso é muito suspeito.
Hyunjin o encarava estático, enquanto tentava raciocinar alguma coisa.
Ele não sabia disfarçar? Tudo bem que ficava sem palavras quando Felix chegava perto dele, mas isso foi a muito tempo, quando ainda eram crianças.
As coisas já tinham mudado, não é?
Ele não continuava assim…
— Chegamos — Felix disse, parando ao seu lado. — Jeongin também quer ir embora.
— Obrigado, Chris, por estragar a noite — Hyunjin olhou para ele, tentando fazê-lo se sentir culpado, mas Christopher apenas deu de ombros.
— Não se preocupe, amor. Bom que a gente vai passar mais tempo juntinhos — Felix agarrou seu braço e sorriu, enquanto por dentro, tudo parecia explodir.
Hyunjin soprou antes de limpar o suor escorrendo em sua nuca. Tinha certeza que suas bochechas estavam vermelhas, pois sentia elas arderem, mas ninguém parecia perceber. Exceto Chris, que balançava a cabeça em negação.
— Inclusive, Jeongin poderia dar uma carona para Chris e eu vou com você — Felix sugeriu, olhando para os meninos, mas nenhum parecia concordar.
— Não. Eu já tinha combinado de dormir na casa do Hyunjin hoje.
— Tinha? — Hyunjin perguntou, olhando-o confuso.
— Você não lembra? Eu falei que não ia deixar você me levar pra casa e voltar sozinho, a estrada é perigosa nessa hora.
— Ainda é cedo e Hyunjin não vai estar sozinho, eu vou com ele — Felix argumentou, cruzando os braços.
— Combinado é combinado, e inclusive eu emprestei o apartamento para meu colega levar uma garota já que não ia dormir lá, não vou atrapalhar — disse e deu de ombros.
Hyunjin queria afundar a cabeça dele de tão teimoso que era.
— Ele é assim mesmo, prefere ceder o próprio apartamento para esse cara folgado que toda semana leva alguém para transar — Jeongin revirou os olhos, deixando Chris boquiaberto.
— Pensei que você preferia ficar na sua casa, se tivesse me dito isso eu teria falado com ele.
— Claro que eu preferia minha casa, quantas vezes nem consegui dormir por causa desse babaca fazendo barulho? Você nunca disse nada com ele.
Felix e Hyunjin olhavam para os dois, acompanhando o rumo da conversa.
— Esse é seu problema, Jeongin. Você quer que eu adivinhe as coisas, mas eu não tenho uma bola de cristal pra saber o que te irrita. — O tom da voz aumentou, ele estava se irritando.
— Como se você se importasse, né? Preferia agradar os outros do que me ouvir.
— O que? De onde tirou isso? — balançou as mãos, indignado. — Você está criando como sempre, não me surpreende, vindo de uma mente paranoica dessas.
— Mente paranoica? Quem é você para em paranoia? Está duvidando do seu melhor amigo e quer falar de mim — disse, cheio de raiva.
— Ora, ora seu… — Chris respirou fundo, soprando o ar até se acalmar. — Eu quero ir embora, Hyunjin, e eu vou dormir na sua casa como combinado.
— Poxa, tudo bem… Eu te deixo em casa, Felix — Hyunjin falou, mas não esperava que ele fosse tão teimoso quanto Christopher.
— Não! Nós combinamos de dormir juntos hoje e vamos fazer isso, se Christopher quiser ficar ouvindo então tudo bem — disse, batendo o pé.
Hyunjin engoliu em seco e olhou para ele. Ouvindo o que? O que ele quis dizer? Será que…
Negou com a cabeça, tentando se livrar dos pensamentos.
Felix só queria afastar Chris e fazê-lo desistir, mas ele não parecia querer dar o braço a torcer. No fim, Jeongin voltou sozinho, enquanto Hyunjin levava seu namorado falso e seu melhor amigo para casa.
Apesar de não ser nem meia noite, a casa já estava escura, seus pais dormiam cedo. Christopher passou na frente, e Felix seguiu atrás de Hyunjin. Os três entraram em seu quarto, e Hyunjin se amaldiçoou por ter deixado sua mesa de estudos bagunçada e não ter dobrado o lençol.
Eles dois olhavam para Hyunjin, esperando alguma palavra, mas continuaram parados por alguns segundos, naquele silêncio constrangedor.
— Você pode me emprestar uma roupa? — Felix pediu, finalmente quebrando aquela tensão.
— Sim, claro — assentiu várias vezes. — Eu personalizei uma camisa para você, ia te entregar depois, mas já que você está aqui…
Pegou o saquinho de plástico e o entregou. Felix agradeceu e abriu, o sorriso radiante que apareceu logo em seguida, fez tudo saltitar por dentro de Hyunjin.
— Que desenho lindo, foi você que fez?
Hyunjin confirmou com um sorriso tímido nos lábios e olhou para os próprios pés, envergonhado, mas Felix se aproximou e beijou seu rosto.
— Eu amei, amor. Vou vestir — falou, acariciando seu rosto. — Posso usar seu banheiro?
— Claro, fique à vontade.
Observou Felix se afastar, enquanto suspirava.
Ele continuava sendo lindo e amoroso quanto antes, não tinha mudado nadinha.
— Você pode me emprestar uma roupa? — Chris afinou a voz, falando igual a Felix. Revirou os olhos e se controlou para não mandar ele embora.
— Você é chato — resmungou, pegando um short de pijama para ele.
— Onde eu vou dormir? Posso colocar o colchão aqui — perguntou, apontando para o espaço ao lado da cama. — É só afastar a mesinha e tirar o colchão que tem embaixo da sua cama.
— Pode ser…
Hyunjin trocou sua roupa por uma calça de moletom e uma camiseta preta. Aproximou-se para ajudar a puxar o colchão quando Felix apareceu no quarto, vestindo apenas a camisa que ia até as coxas, mas suas pernas continuaram de fora.
Sentiu a garganta secar. Mesmo usando apenas uma camisa, ele continuava com aquela aura angelical que nada no mundo conseguia tirar.
Hyunjin suspirou, com um sorriso bobo nos lábios.
— O que é isso? — Felix perguntou, olhando confuso para eles.
— Estamos tirando o colchão que tem embaixo da minha cama para o Chris.
— E ele vai dormir aqui no quarto com a gente? — perguntou, quase indignado.
— Vou, Felix. Algum problema? — Chris perguntou e cruzou os braços.
— Você sabe que a gente vai transar, né? — soltou como se não fosse nada demais.
Foi inevitável, Hyunjin começou a tossir. Seu ficou rosto vermelho.
— Com esse aí? — apontou para Hyunjin, rindo. — Boa sorte tentando.
Felix revirou os olhos, sem paciência e olhou para Hyunjin, como se dissesse para ele fazer alguma coisa.
— Chris, acho melhor você dormir no quarto que era do Minho, a cama já está ajeitada — Hyunjin disse.
— Não acredito que você está mesmo tentando me enganar com isso, Hyunjin.
— Chris? Por favor, cara.
— Tá, tá bom — respirou fundo. — Eu vou, mas ainda não acredito nessa besteira.
Depois que ele saiu, Hyunjin empurrou o colchão de volta para o lugar, fechou a porta do quarto e apagou a luz, deixando só o abajur acesso.
— Que cara chato e teimoso — Felix resmungou, e se jogou na cama.
— Chris não está acreditando nisso — falou, deitando-se ao lado de Felix e entregando um lençol para ele.
Por sorte, a cama de casal tinha bastante espaço para os dois.
— Pelo menos o Jeongin acreditou logo de cara, mas o Chris… Não sei como vamos convencer ele — suspirou. — Inclusive, que desastre. Eles não pararam de brigar um minuto.
— Acho que só pioramos a situação — Hyunjin riu, esfregando a testa.
— Somos péssimos cupidos, Hyunjin — gargalhou, virando-se para seu lado.
Antes que Hyunjin pudesse dizer alguma coisa, seu celular começou a apitar, eram mensagens de Chris, uma atrás da outra sem parar.
Isso é ridículo, Hyunjin. Ridículo!
Você acha que eu acredito nisso? Não mesmo.
O que você tinha na cabeça? Achou que eu e Jeongin ia voltar a se falar? Eu odeio ele, odeio muito!
Se você fizer isso de novo, você me paga!
Eu só não vou pra casa agora porque eu prometi para o Changbin que ia ficar a noite fora.
Nossa, quer saber? Eu te odeio também!
Te odeio, Hyunjin. Odeio você, odeio o Felix, odeio o Jeongin.
Chatos. Chatos. Chatoooooos.
MENTIROSOS!!!!!
As mensagens não paravam de chegar, Felix gargalhava, olhando para o celular, junto com ele.
— Ele tá muito irritado — Felix disse, apoiando o queixo no seu ombro.
E não me chamem pra sair nunca mais.
Não confio mais em você!
Até parece que você ia namorar Felix de verdade, por favor.
Aprendam a mentir melhor!!!
— Ah, quer saber? Chega de mensagens. — Felix tirou o celular de sua mão e bloqueou a tela.
— Não liga pra ele, Chris só está irritado…
— Não estou chateado, mas ele vai parar de duvidar agora — disse, sentando-se. — Precisamos fazer alguma coisa.
— Tipo? — Hyunjin engoliu em seco.
— Sei lá, fingir que estamos transando — deu de ombros, e Hyunjin achou que fosse morrer.
Como iria fingir que estava transando com Lee Felix? Parecia pecaminoso só em pensar na ideia. Tinha certeza que os anjos o assombrariam de noite se tocasse naquela preciosidade.
— Vai, geme — Felix cutucou seu ombro e soltou um gemido baixo.
— Felix, eu não consigo fazer isso — murmurou, também sentando.
— Não precisa ter vergonha, Hyunjin, a gente tem que fingir ou ele vai passar a noite mandando mensagem.
— Eu posso desligar o celular e…
— Não! Ele precisa acreditar que estamos juntos — disse, ajoelhando-se para tocar na cabeceira. — O quarto que ele está é do outro lado da cama?
— Sim, por quê?
— Vamos fazer ele ficar quieto então — sorriu, empurrando Hyunjin até ele deitar.
Foi tudo tão rápido que ele mal teve tempo de pensar. Felix passou o joelho para o outro lado e se sentou em sua barriga. Apoiou as mãos em seus ombros e movimentou o corpo para frente e para trás, impulsionando os joelhos com força e fazendo a cama se mover junto.
Quando a cabeceira começou a fazer barulho na parede, ele entendeu qual era a intenção.
Mas Hyunjin estava tão em choque, com os olhos arredondados, as bochechas inflamadas e a boca entreaberta, que a única coisa que ele conseguiu fazer foi olhar para o corpo de Felix e babar.
— Vai, geme — Felix murmurou, soltando alguns gemidos falsos.
— Ahn… — arfou baixinho, odiando-se por ser tão tonto.
Que merda de gemido era aquele? Por Deus, Felix ia rir da sua cara. Aumentou a voz, tentando acompanhar os gemidos dele.
— Mais alto — murmurou, empurrando mais forte. — Hm, que delícia, Hyune. Mete tudo.
A tela do seu celular parou de piscar, Christopher não estava mais mandando mensagens. Mas Hyunjin estava tão vidrado em Felix, tão submerso no barulho dos seus corpos fingindo transar, junto com os gemidos falsos, que não conseguiu avisar.
Hyunjin não conseguiu emergir daquele abismo que se encontrava, não conseguiu controlar seu pau ganhando vida, e muito menos conseguiu evitar os pensamentos impuros que gritavam em sua mente.
— Mais forte — Felix gemeu, mordendo o canto do lábio. — Ah… Hyunjin… Isso.
Seus olhos escureceram e a mente ficou nublado. De repente, agarrou a cintura de Felix, deixando que sua depravação falasse por ele e o controlasse.
— Felix… — gemeu alto, empurrando a cintura dele para trás, até a bunda encaixar em seu pau.
Felix arregalou os olhos, espalmou as mãos em seu peito e esfregou a bunda gostoso, deslizando com tanta pressão que seus gemidos aumentaram. Christopher devia estar com ódio, mas a culpa era dele, ele quem começou.
Passou as mãos pelas coxas dele, indo até a cintura por baixo da camisa. Levantou o tecido só para ver como a bunda dele, coberta por uma cueca branca, pressionava seu pau escondido no moletom.
Fechou os olhos e gemeu, o barulho se misturava com os gemidos de Felix, deixando-o louco de tesão.
Já fazia tanto tempo que Hyunjin não transava com alguém, que seu corpo reagia instantaneamente aos gemidos dele. Não parava de apertar a cintura de Felix, não conseguia, precisava sentir sua bunda macia, redondinha, gostosa e…
— Que delícia — Felix gemeu, mordendo os lábios.
Inclinou o corpo para frente, olhando-o nos olhos e empurrou o pau contra o seu, sem deixar de esfregar. Hyunjin choramingou, afogado naquele prazer. Era tanto que arriscava dizer que nunca sentiu nada igual. Nenhuma noite de sexo da sua vida iria superar aquela esfregação por cima da roupa.
— Não para — Hyunjin sussurrou, empurrando a cintura dele para aumentar o movimento.
— Você deve ter um pau tão gostoso — arfou, apertando a camisa de Hyunjin. — Eu vou gozar só esfregando nesse pau gordo, porra.
— Ah, Felix… — apertou a cintura dele com mais força e gozou, soltando um gemido manhoso.
— Que gostoso você molinho assim — murmurou, inclinando para beijar seu pescoço.
Felix continuou empurrando seu pau contra Hyunjin, apertando seus braços até que gozou e se jogou ao lado.
A essa altura, Hyunjin já estava embriagado pelo sono pós orgasmo. Seu corpo não tinha forças nem para se mexer, e antes de adormecer, ele só conseguia pensar que tinha acabado de gozar para Felix, seu anjo celestial.
✿
Hyunjin estava personalizando o pedido de um cliente quando Chris chegou. Automaticamente, suas bochechas queimaram ao se lembrar de dias atrás, quando ele gemeu e gozou por causa de Felix. Desde esse dia, quando foi deixá-los em casa, Christopher não parou de olhar com olhos maliciosos para Hyunjin, enquanto Felix, parecia que não tinha acontecido nada, ele continuou sua vida normalmente.
E Hyunjin? Estava surtando.
Cada vez que fechava os olhos, pensava em Felix sentado em seu pau, esfregando a bunda, esfregando o pau e falando aquelas coisas pecaminosas. Hyunjin sempre olhou para Felix com olhos inocentes, como se ele fosse um anjo que precisava ser cuidado, mas agora não conseguia parar de pensar em enterrar o pau na bunda dele, e isso estava o sufocando.
Ele era um pervertido? Quão impuro tinha que ser para pensar em Felix daquela maneira? Era tão fora da realidade, que ele nem ao menos pensava na possibilidade de Felix sentir desejo.
Agora, a única coisa que ele queria era dar prazer a ele, tirar todas suas roupas, beijar seu corpo e…
— Obrigado — o cliente agradeceu, tirando Hyunjin dos seus devaneios.
Recebeu o dinheiro e agradeceu pela preferência, enquanto Chris se aproximava do balcão.
— O que foi? Que cara é essa? — Hyunjin perguntou, desconfiado.
— Você não vai falar nada?
— Sobre?
— Sobre sábado — riu, com uma expressão tão maliciosa no rosto que Hyunjin revirou os olhos. — Eu estava duvidando de verdade, mas depois do que eu ouvi… Caraca, fiquei surpreso.
— Chris — desviou o olhar, não conseguia nem pensar.
— Nossa, Hyunjin, eu fiquei chocado de verdade, bem que dizem que os santinhos são os piores… Você fez Felix gritar, cara.
— Não é pra tanto. — Virou de lado, fingindo que estava procurando algo no caixa, mas ele só não queria que Chris visse o sorriso idiota que estava em seu rosto. — E nunca fui santinho.
— Realmente, nunca foi mesmo! Eu que me enganei, vocês quase quebraram a parede, que força é essa? Tava com fome assim?
— Christopher, por favor…
A essa altura, duvidava que Christopher acreditasse que tudo não passou de um fingimento.
— Você pegou o Felix de jeito, nossa, parabéns — deu uns tapinhas em seu ombro. — Inclusive, desculpa pelas mensagens, eu tava bravo por causa do Jeongin, mas você nem deve ter visto na hora já que estava transando.
— É… — engoliu em seco, rezando para não se lembrar dos gemidos de Felix ou enlouqueceria de novo. — E você está fazendo o que aqui nessa hora? Não é seu horário de almoço?
— Sim, eu vim te chamar pra ir comigo na cafeteria aqui do lado — falou, batucando os dedos no balcão. — Fecha aí rapidinho e vamos.
— Tudo bem, vou só pegar minha carteira — Hyunjin disse, aproveitando para mandar mensagem para Felix avisando que estava com o Chris.
Fizeram seus pedidos e sentaram perto da janela, Christopher conversava sobre como foi seu dia, e o quanto estava estressado por causa de Jeongin, que ele parecia querer irritá-lo o tempo todo mandando planilhas erradas para Chris corrigir.
Enquanto ele falava em como tinha certeza que era de propósito para fazer ele perder a cabeça, Felix se aproximava com Jeongin, sem que Chris percebesse.
Ele sorriu para Hyunjin, dando uma piscadinha, e puxou Jeongin até eles.
— Nossa, que surpresa encontrar vocês aqui — Felix disse, sentando-se ao lado de Hyunjin e dando uma bitoquinha rápida em seus lábios.
Hyunjin prendeu a respiração por alguns segundos, tentando se controlar.
— Ah, não — Chris revirou os olhos quando olhou para o lado e viu seu ex. — É sério, Hyunjin? Você tinha mesmo que chamar eles?
— Qual o problema? Somos namorados e agora frequentamos os mesmos lugares — Felix deu de ombros e roubou um pedaço do seu sanduíche.
— E você tinha que trazer esse aí? Só anda grudado agora? — bufou, afastando a cadeira para criar distância entre ele e Jeongin.
— Acho que você se dá muita importância, Christopher, não é como se eu estivesse aqui por sua causa, eu só saí para almoçar com meu melhor amigo — Jeongin revirou os olhos e também afastou a cadeira.
Hyunjin e Felix se olharam, sentindo a tensão aumentar.
Céus, parecia que nada dava certo.
— Vamos fazer nossos pedidos, Jeongin? — Felix tentou interromper, mas eles não pareciam ligar.
— Quem é você para falar de importância, Jeongin? Você nunca errou as planilhas e agora resolveu mandar tudo trocado, parece que tem alguém querendo chamar minha atenção.
— Agora você quer falar de trabalho? Por que você não diz então que os dados que você mandou no meu e-mail estavam errados? Você que deve querer minha atenção, aposto que ensaiou até agora pra falar isso pra minha cara — Jeongin rebateu.
— Chega, eu não preciso aturar isso — Chris resmungou, levantando-se. — Falo com você depois, Hyunjin.
E saiu, sem esperar por nenhuma resposta.
— Quer saber? Perdi a fome, vou pedir um sanduíche para a viagem e já vou. Desculpa por isso — Jeongin disse, deixando eles sozinhos.
Se olharam outra vez, chocados com o rumo do que era para ser um simples almoço.
Estava impossível, eles não conseguiam ficar no mesmo lugar sem discutir.
— Não está dando certo, Felix — falou, choramingando.
— Vamos ter que pensar em algo mais elaborado, a gente não vai conseguir assim, eles estão muito irritados — suspirou, roubando uma batata frita do prato de Hyunjin.
— E se a gente desistir? Sei lá, deixar a raiva passar e tentar no tempo deles — sugeriu, já sem esperanças.
— E aturar Jeongin lamentando que Chris odeia ele e que já seguiu em frente? De jeito nenhum! Eles estão na defensiva, mas na realidade estão sofrendo um pelo outro, só precisam se resolver com calma — disse, apoiando o rosto na mão. — Precisamos pensar em algo melhor.
— Acho que só trancando eles dois e tentar a sorte — Hyunjin riu. — Eles se matam ou se acertam, não tem outra opção.
Felix olhou para ele, com um sorriso esperto de quem tinha acabado de ouvir a melhor ideia do mundo. Apertou seu ombro e riu.
— É isso mesmo! Temos que dar um jeito de trancar eles.
Hyunjin arregalou os olhos, não esperava que ele fosse levar a sério.
— Está falando de verdade?
— Sim! Só precisamos pensar em como faremos isso e arranjar um lugar, e então, bingo! Eles vão voltar.
— Não sei não, Felix… — disse, inseguro.
— Confia em mim, a gente vai conseguir dessa vez.
✿
Hyunjin não estava muito seguro daquela ideia, achava que ia dar errado como estava acontecendo antes, mas Felix garantiu que dessa vez ia funcionar.
Alguns dias depois do encontro desastroso na cafeteria, Felix teve a ideia de trancá-los no banheiro da loja de Hyunjin, e claro que ele aceitou. Estava disposto a fazer qualquer coisa que ele dissesse se isso fosse garantir que eles dois passassem mais um tempinho juntos.
Hyunjin estava suspirando por ele.
Desde o momento que tiveram em seu quarto, ele não conseguia parar de sonhar. Ficava se perguntando qual era o sabor do beijo dele e como seria tocar aquele corpo tão bonito.
Hyunjin ainda lutava contra os pensamentos pervertidos, principalmente porque Felix agia como se nada tivesse acontecido, enquanto ele estava surtando por dentro.
Será que Felix não gostou? Céus, deveria ter se desculpado por arrastar a cintura dele até a bunda encostar no seu pau, mas foi inevitável, Hyunjin ardeu de desejo naquele dia, não tinha autocontrole no mundo que conseguisse segurar suas mãos.
Hyunjin queria repetir tudo, queria sentir ele de novo, ao mesmo tempo em que lutava para não pensar nessas coisas com alguém tão puro como Felix.
Hyunjin guardava seu material de trabalho, já estava anoitecendo e precisava fechar a loja para seu plano com Felix, entrar em ação. Fechou o caixa e olhou a hora no celular, segundos depois, ele chegou.
— Ei — Felix disse, com um sorriso tão lindo que fez Hyunjin suspirar. — Vou mandar mensagem para Jeongin pedindo para me buscar aqui porque a gente brigou, quando ele chegar, você diz que eu estou no banheiro chorando.
— Certo.
— Assim que ele entrar, você já chama o Chris e inventa qualquer coisa para ele ir ao banheiro.
— Será que isso vai funcionar? — perguntou, mordendo o cantinho do lábio.
— Vai! Eu vou sair bem rápido e trancar eles — riu. — A chave já está do lado de fora?
— Está sim.
— Perfeito! Vou mandar mensagem para o Jeongin — disse e se afastou para gravar um áudio chorando.
Hyunjin ficou chocado como ele conseguia fingir tão bem. Se fosse ele no lugar, iria correndo para ajudá-lo.
— Pronto, ele já está vindo — sorriu, um sorriso tão sapeca que fez Hyunjin sorrir também. — Vou molhar meu rosto e fingir que estou chorando, não esquece de mandar mensagem para o Chris!
— Certo, tudo bem.
Quando Felix fechou a porta do banheiro, Hyunjin soltou um suspiro longo e abriu a conversa do seu melhor amigo, pronto para digitar a mensagem.
Levou alguns minutos para Jeongin chegar, ele parecia furioso. Os olhos carregavam ódio e se não fosse o balcão separando os dois, tinha certeza que ele teria agarrado a gola de sua camisa e dado um soco.
— O que você fez com ele? — perguntou, entredentes.
Oh, droga. Deveriam ter planejado isso melhor.
Olhou espantado, quase se entregando, mas respirou fundo e tentou inventar alguma mentira.
— Eu… É que… Nós só brigamos e ele se trancou no banheiro — apontou na direção do corredor. Vai, vai atrás dele.
— Eu vou acabar com você depois — ameaçou, apontando para seu rosto.
Hyunjin engoliu em seco. Esperava que a noite não terminasse com um olho roxo. Meu Deus, ele nunca apanhou de ninguém antes, precisava mandar mensagem para Christopher, ele não deixaria nada acontecer.
Ouviu Felix chorar, atuando perfeitamente bem.
Por precaução, Hyunjin se agachou atrás do balcão e mandou mensagem para Chris, dizendo que Felix tinha se machucado feio e ele não tinha como levá-lo para o hospital.
Ele respondeu minutos depois, dizendo que ia passar na loja para ajudar eles. Chris demorou um pouco mais para chegar, e Felix precisou enrolar mais, Hyunjin conseguia ouvir as lamúrias dele e as ameaças de Jeongin.
Hyunjin se benzeu, implorando para Chris chegar logo.
Suas preces foram atendidas, pois minutos depois, Christopher entrou, chamando por seu nome.
— Finalmente! — Correu até ele, forçando a respiração como se estivesse ofegante. — Eu estou tão preocupado, Chris. Vem, Felix está no banheiro.
— O que aconteceu com ele?
— Você precisa ver… — disse, empurrando Chris para entrar no banheiro.
Foi tão rápido que ele mal conseguiu acompanhar. Felix passou pela porta e trancou, deixando os dois sozinhos.
— Felix? Que palhaçada é essa? — Jeongin gritou, batendo na porta.
— Isso foi de propósito, Hyunjin? Não tô acreditando — Christopher falou, chocado. — Abre isso agora.
Felix gargalhou, com os braços cruzados.
— Agora vocês vão ter bastante tempo para se resolver — ele disse, afastando-se.
— Abram a porta agora!
— Quando eu sair daqui vou acabar com os dois.
— Abram isso. — Ouviram o barulho da fechadura sendo forçada. — Afasta, cara, não precisa ficar grudado em mim, o banheiro já é pequeno.
— Afasta você, eu estava aqui antes — Jeongin resmungou, e continuou batendo na porta. — Felix, isso não tem graça, abre isso.
Mas Felix não ligava, estava apoiado no balcão, gargalhando.
— É melhor fechar a porta da loja para não aparecer ninguém aqui, vão achar que sequestramos eles — Felix disse, sem conseguir parar de rir.
Hyunjin assentiu e puxou a porta de enrolar metálica até o chão, abafando os gritos dos dois.
— Vamos deixar eles trancados até que horas? — Hyunjin perguntou.
— Até eles pararem de gritar feito idiotas e conversarem — deu de ombros, mexendo no celular.
— HYUNJIN ABRE AQUI — ouviu Chris gritar.
— Para de gritar no meu ouvido, inferno — Jeongin berrou.
Hyunjin olhou para ele, balançando o rosto.
— Pelo o visto vai demorar.
Hyunjin pegou água para Felix, enquanto Chris e Jeongin continuavam gritando no banheiro. E eles continuaram berrando, ameaçando, e ligando por um bom tempo, até que o cansaço venceu.
Felix estava distraído, mexendo no celular, quando notou que eles tinham se calado a alguns minutos.
— Acho que está funcionando, eles devem tá conversando agora — Felix disse, olhando para o corredor.
— Finalmente, eu não aguentava mais — sorriu, porém, seu sorriso se desfez quando ouviu o primeiro gemido.
— O que foi isso? — Felix perguntou, olhando confuso.
E então, outro gemido.
Hyunjin engoliu em seco, seu rosto ferveu.
— Eles estão…? — Felix murmurou quando outro gemido foi ouvido.
Algum deles gemeu mais alto, fazendo Hyunjin se encolher.
Ouviram outro gemido, mas dessa vez, manhoso.
— Credo, vamos embora e deixar eles dois aí, depois a gente vem abrir — Felix falou, indo até a porta.
Hyunjin apenas assentiu, tentando disfarçar seu rosto envergonhado. Puxou a porta para cima, mas ela não saiu do lugar.
Achou estranho. Geralmente, não tinha problemas para subi-la.
Tentou puxar de novo, mas não saía do canto.
— Felix, não estou conseguindo abrir a porta. — Sua voz saiu trêmula, os gemidos estavam cada vez mais altos, deixando sua cabeça perturbada.
— O que aconteceu? — perguntou, ajudando Hyunjin, mas a porta metálica não saía do canto.
— Não sei, parece que emperrou — disse, botando mais força, mas nada funcionava. — Normalmente eu fecho do outro lado e não tem problema, não sei o que aconteceu.
— Que droga — Felix resmungou, desistindo de tentar abrir, pois já estava sem forças e ofegante.
— Eu vou mandar mensagem para meu irmão vir abrir — disse, pegando o celular no balcão.
Suas mãos tremiam, ele mal conseguia digitar o contato de Minho. Seu coração batia rápido e suas pernas tremiam. Os gemidos estavam cada vez mais altos, ao ponto de deixar Hyunjin sem rumo.
Mandou mensagem para Minho, tentou ligar várias vezes, mas ele não atendia.
— Conseguiu? — Felix perguntou, e ele parecia estar sentindo as mesmas coisas que Hyunjin.
O corpo dele estava diferente, tão afetado quanto o seu.
— Ele não está atendendo — resmungou, olhando para a tela do celular. — E se a gente abrir a porta do banheiro e pedir ajuda a eles?
— Não! A gente não vai atrapalhar, já foi tão difícil juntar esses dois — suspirou, passando a mão na testa.
Minutos depois, Minho respondeu sua mensagem avisando que passaria lá, mas estava preso no trânsito, então demoraria um pouco.
Enquanto isso, Hyunjin e Felix tentavam se distrair, mas os gemidos eram insuportáveis, exagerados e sufocantes.
O clima ficou tenso. Hyunjin estava travado, apoiado contra o balcão, enquanto Felix, ao seu lado, mexia as pernas toda hora, como se estivesse igualmente agoniado.
Não conseguia olhar para ele, tinha vergonha do estado do seu rosto, devia estar vermelho como um pimentão. Para piorar, a loja parecia mil vezes mais quente, abafada por estar fechada, o ventilador no teto não era suficiente para diminuir aquele fogo que parecia subir por suas pernas e incendiar seu corpo.
Felix… — murmurou, criando coragem para olhá-lo.
Ele virou o rosto, deixando o corpo próximo ao seu.
Quando olhou para o rosto dele, os olhos arredondados e as bochechas rosadas, sentiu vontade de protegê-lo. Felix não deveria estar ali, ouvindo aquelas impurezas.
Ele deveria… O barulho aumentou, ele conseguiu ouvir as peles batendo uma contra a outra e os gemidos piorando, carregados de tanta obscenidade que Hyunjin não conseguia mensurar.
— Não escute. — Tampou os ouvidos de Felix, tentando proteger daquele som pecaminoso.
Mas Felix parecia estar em outro mundo, tão absorto do que estava acontecendo, que ele apenas assentiu e deu um passo à frente.
— Hyunjin — arfou, fechando os olhos.
E a mão dele foi direto para seu pau, apertando por cima da roupa.
Hyunjin olhou para baixo, sem acreditar no que estava vendo. Seu coração acelerou tão rápido, que estava quase rasgando sua pele. A mão de Felix desceu, dedilhando o comprimento e voltou, apalpando a glande inchada.
Hyunjin gemeu, dividido entre segurar a mão dele e parar, ou apalpar ele também.
— Deixa eu ver seu pau — Felix pediu, mordendo o lábio.
Arregalou os olhos, espantado. Meu Deus. Era Felix ali mesmo? Aquele Lee Felix que se vestia de fada e parecia um anjo? Ou aquele Felix que se esfregou em seu colo e disse que ia gozar com seu pau?
Hyunjin gemeu com a lembrança que ainda torturava sua mente. O jeito como ele se esfregou, pressionou e gemeu… Porra, precisava ver essa versão dele de novo.
— Deixa? — repetiu, manhoso.
— Sim… — A voz saiu baixa e rouca, mas o suficiente para Felix ouvir e abrir os botões.
Felix abaixou sua calça, junto com a cueca, até a altura das coxas. Os olhos dele brilharam quando olhou para seu pau, percebeu ele engolir a saliva e diminuir a distância entre seus corpos.
— Eu sabia que esse pau era gordo — suspirou, segurando a cabecinha úmida e deslizando o polegar. — Eu senti naquele dia.
— Meu Deus, Felix… — gemeu o nome dele alto, pressionando os olhos.
Não percebeu o sorriso ladino nos lábios dele, e nem a distância diminuindo, até que suas bocas se encostaram, em uma curiosidade que Hyunjin não conseguia mensurar. Felix esticou a língua para fora, lambendo seus lábios, provocando-o e se divertindo.
Hyunjin não aguentou, segurou o rosto dele e abocanhou a língua, chupando para dentro de sua boca. A mão de Felix desceu, apertando seu comprimento e arrancando um gemido profundo. O beijo continuou, bagunçado e necessitado na mesma proporção.
Segurou o cabelo de Felix, mergulhado na sensação saborosa de suas línguas se acariciando, enquanto os dedos deslizavam devagar, tocando seu pau com vontade, desejo de conhecer e explorar cada pedacinho.
O beijo continuou, faminto e desesperado. Hyunjin sentia seu coração bater forte, mas dessa vez, as batidas carregavam algo diferente, não era apenas aquele nervosismo que grudava em sua pele quando olhava para Felix, era além disso, como uma paixão sendo revelada, irradiando para cada partícula do seu corpo.
Felix mordeu seu lábio e puxou, a mão continuava tocando-o, deslizando em seu pau lentamente ao ponto de quase enlouquecê-lo. Entre o piscar de olhos, percebeu Felix se ajoelhar, sem desviar o olhar que vibrava diretamente em seu peito.
Ele não disse nada, e muito menos Hyunjin. Manteve os olhos fixos em Felix, no rosto rosado, que agora não parecia tão angelical quanto antes, e na língua profana lambendo seu comprimento e engolindo a glande. A boca cheia deslizava em seu pau, molhando cada pedacinho com saliva quente, que parecia ter entorpecentes pela forma como seu corpo amoleceu e seus olhos pesaram.
— Felix… — gemeu, apoiando as mãos no balcão atrás do seu corpo.
Felix olhou para ele, os olhos faiscavam, queimando a pele de Hyunjin. Ele apoiou as mãos em suas coxas e forçou a boca para frente, lambuzando-o inteiro. Seus gemidos aumentaram conforme Felix chupava, estava delirando de tanto prazer que suas pernas pareciam que iam desabar.
O mundo ao redor pareceu parar, Hyunjin não ouvia nada que não fosse o barulho da boca de Felix engolindo-o, junto com seus gemidos carentes. Hyunjin, mergulhado naquele desejo, mal notou os gemidos que vinham do banheiro sumirem, e muito menos percebeu as ligações perdidas em seu celular. Ele só despertou do transe quando ouviu o barulho da porta, que estava emperrada, ser levantada.
Quando saiu daquela bolha e olhou ao redor, viu Chris e Jeongin parados fora do banheiro, evitando o encarar, enquanto Minho terminava de levantar a porta metálica.
Arregalou os olhos, afastando-se de Felix e subindo suas calças apressadamente. Suas pernas tremiam de nervosismo, sentia a vergonha o devorar por dentro, deixando-o sem chão.
Que horror.
Felix ainda estava ajoelhado quando Minho olhou confuso, tentando entender o que acontecia lá dentro. Hyunjin engoliu em seco, sem saber o que falar, ou como começar a se explicar, nunca foi pego no flagra assim, ainda mais com Felix, o professor de sua sobrinha.
— Está tudo bem por aqui? — Minho perguntou, observando Felix levantar e assentir.
— Eu quebrei a fechadura do banheiro, mas… Eu vou pagar o conserto amanhã mesmo, não se preocupe — Chris disse para Hyunjin, que mal conseguiu olhá-lo.
— O que aconteceu? — Minho quis saber, mas Hyunjin não conseguiu falar nada, ele precisava ir embora.
— E-Eu tenho que ir, você pode fechar a loja pra mim? — Perguntou a Minho, mal dando tempo dele responder.
Hyunjin deixou a loja sem olhar para trás. Fugiu dos olhares curiosos, evitou questionamentos e principalmente, correu daquele olhar inocente que conhecia desde criança, mas que agora, não pareciam tão inocentes assim.
Não teve coragem de olhar para Felix, não só por vergonha, mas também culpa, como se de alguma forma, ele tivesse tirado a pureza que acreditava habitar naquele anjo.
✿
Uma semana tinha se passado desde aquela cena desastrosa na sua loja. Hyunjin ficou tão envergonhado que nem foi trabalhar no dia seguinte, e quando Minho veio entregar as chaves, ele contou bem por cima o seu plano com Felix para juntar os melhores amigos de novo.
Quando Minho perguntou o que Felix estava fazendo ajoelhado naquele dia, Hyunjin quis morrer, pois ele sabia muito bem o que tinha acontecido e dava para ver pelos olhos maliciosos o encarando. Logo em seguida, Minho perguntou se ele gostava de Felix e aquela pergunta não saía de sua mente por nada.
Ele gostava de Felix? Foi dormir pensando nisso todos os dias, e a cada dia que passava, tinha mais certeza da resposta.
Como não gostar de Felix, afinal? Como não se apaixonar por aquele rosto bonito? Como resistir a aquele sorriso? Como não se derreter sempre que ele chegava perto? Quem em sã consciência resistiria a isso? Hyunjin arriscava dizer que sempre gostou dele desde que se entendia por gente, desde que era criança.
E só foi perceber agora.
Para piorar, tinha conhecido a boca dele, o beijo e o toque, e Hyunjin não conseguia parar de reviver essas imagens, não esquecia a sensação da língua dele na sua, não conseguia esquecer como a língua dele deslizou em seu pau com vontade.
Hyunjin se pegava pensando se algum dia iria superar tudo o que aconteceu entre eles, afinal, parecia impossível.
Ele era um idiota. Nos dois primeiros dias, ignorou todas as mensagens e ligações de Felix, não só dele, mas de Chris também. Hyunjin se isolou, tentando lidar com seus sentimentos, sem contar aquela culpa que martelava no peito, como se tivesse corrompido um anjo sagrado.
Felix continuava sendo sagrado, mas de anjo só a aparência, porque por dentro, ele era um pervertido que deixou sua mente perturbada por dias, ao ponto de Hyunjin não querer ver ninguém. Mas quando sua crise de culpa passou, ele se pegou revivendo as lembranças daquele dia, seu pau sempre ficava duro quando pensava na boca de Felix, ele precisava encontrá-lo outra vez.
Christopher pagou o conserto da porta e tentou tocar no assunto, mas Hyunjin só ficava calado, sem saber como admitir que estava apaixonado por Felix.
Durante o restante da semana, Hyunjin passou os dias se torturando, arrependido por não ter atendido as ligações de Felix, pois agora, ele parou de procurá-lo e provavelmente tinha desistido dele.
Burro, burro, burro. Era assim que se sentia, perdeu sua oportunidade e agora não tinha coragem de voltar atrás. Não tinha nem cara para olhar para Felix outra vez.
— Já está pronto? — Hyunjin perguntou assim que Chris abriu a porta.
Christopher tinha chamado para jantar com ele naquele sábado, tinha algo importante para conversar e por isso Hyunjin decidiu sair da sua toca e ir. Agradecia mentalmente por Chris não tocar mais no assunto, e nem rir da sua cara por ter saído correndo, ele parecia ter esquecido.
— Sim, vou só pegar a chave do carro. — Fechou a porta e foi até a mesa no centro da sala, onde ele deixava a chave. — Droga, esqueci minha carteira no quarto, você pega lá pra mim? Tá em cima da cama.
— Tudo bem — suspirou, enquanto pensava em Felix.
Por alguma razão, tudo o lembrava Felix, o tempo todo, a cada minuto. Ele não saía mais de sua mente, todos seus pensamentos eram para ele. Hyunjin estava tão distraído pensando nele outra vez, que tomou um choque ao abrir a porta e encontrar Felix sentado na cama.
A princípio, achou que fosse uma miragem. Que coisa, agora sua mente estava começando a projetar ele para fora da consciência, mas quando piscou os olhos várias vezes e Felix continuava existindo, e caminhando em sua direção, foi que teve a certeza que não era uma miragem, era Felix ali, esperando por ele.
— Acho que vocês têm muito o que conversar — Chris disse, colocando o rosto pela brecha da porta.
Hyunjin ouviu a risada de Jeongin, que devia estar escondido na cozinha para ele não o ver.
— Aproveitem que o apartamento está vazio, voltamos mais tarde — ele piscou e fechou a porta.
Hyunjin engoliu em seco quando olhou para a frente e viu Felix bem pertinho, sorrindo para ele. Foi impossível segurar o suspiro apaixonado, um pouco mais e seu corpo iria derreter como gelo em uma bebida quente.
— Agora você não vai fugir de mim — ele sorriu, segurando sua mão e puxando-o para a cama. — Eu pensei que você não queria mais falar comigo, só que Chris me contou o que estava acontecendo…
— Cara fofoqueiro — suspirou, fazendo Felix gargalhar.
— Por que você fugiu daquele jeito? Tava ruim? — Fez um biquinho que quase derreteu Hyunjin.
Por Deus, como ele tinha coragem de perguntar algo assim? Foi uma das melhores chupadas que Hyunjin já recebeu.
— Eu… eu fiquei sem jeito — confessou, ao mesmo tempo em que suas bochechas esquentavam.
— E nem respondeu minhas mensagens depois… — O biquinho continuava e sinceramente, Hyunjin se controlava para surtar.
— Desculpa… Eu fiquei tão envergonhado — suspirou, os ombros caindo. — Como eu conseguiria te olhar depois de sentir que tirei sua inocência?
— Minha inocência? — repetiu, rindo.
— É… Você parece um anjo, eu fiquei meio… Perturbado depois.
Felix balançou a cabeça, negando, enquanto aproximava seus corpos. Segurou o rosto de Hyunjin, fez um carinho em seu cabelo e sorriu.
— Eu posso ser seu anjo, Hyun — murmurou, beijando seu rosto. — Mas quem disse que você não pode fazer coisas impuras com seu anjo, hm?
— Felix…
— Não acha que seu anjo merece ser tocado também? — Beijou seus lábios, descendo a boca pelo o queixo.
— F-Felix — gemeu, agarrando a cintura dele com força.
— Seria um pecado deixar seu anjo passando vontade, sabia?
Hyunjin não aguentou mais se segurar, agarrou o rosto de Felix, trazendo-o para um beijo sedento. Enfiou sua língua, suspirando ao sentir o gosto do beijo dele outra vez, ainda era delicioso como se lembrava.
Felix agarrou seu cabelo com força, deixando suas línguas lutarem por dominância. Hyunjin suspirava entre o beijo, estava vivendo os sonhos que tanto mexeram com sua mente nos últimos dias, e ele não queria parar mais, não fugiria nunca mais daqueles braços quentes, queria sentir a boca dele até todo o pecado incendiar e evaporar do seu corpo, sobrando apenas aquela paixão intensa que fazia seu coração palpitar.
— Você é tão lindo — Hyunjin murmurou, beijando o pescoço dele.
Felix arfou e desabotoou sua calça, abaixando até as coxas. A mão percorreu seu comprimento, apertando devagar e fazendo endurecer. Ele sorriu e segurou seu rosto com a outra mão, voltando a grudar suas bocas. Enquanto apalpava seu pau, chupava sua língua e deixava Hyunjin maluco, doente de tanto tesão.
Ele queria gritar, queria arrancar suas roupas e se enfiar dentro dele, ao mesmo tempo que queria aproveitar cada toque, sentir os beijos lentos e engolir os gemidos manhosos que Felix soltava.
Felix abaixou as próprias calças, junto com a cueca e puxou a mão de Hyunjin, fazendo-o apertar seu pau. Arregalou os olhos, desgrudando suas bocas para olhar para baixo, foi inevitável não gemer ao olhar para a cabecinha vermelha, deslizou a mão no pau dele, apertando devagar enquanto Felix gemia contra seus lábios.
— Isso, toca seu anjo — murmurou, deixando selinhos no seu rosto.
Hyunjin fechou os olhos por um momento, deslizando os dedos compridos no pau dele. A sensação era gostosa, tão boa que sua alma quase saiu do corpo e flutuou pelo o espaço. Céus, ainda não acreditava que estava tocando Felix, parecia surreal ouvir os gemidos, o pau pulsando e os dedos dele apertando seu cabelo.
— Chupa seu anjo, hm? — pediu, olhando-o nos olhos.
Hyunjin grunhiu ao se imaginar de joelhos para ele, como se estivesse rezando para seu anjo abençoá-lo. Ele assentiu e Felix sorriu, segurou sua mão e deu alguns passos para trás, até se sentar na cama. Felix puxou a calça junto com a cueca e apoiou as mãos atrás do corpo, oferecendo-se para ele.
Hyunjin sentiu seu corpo arrepiar inteiro e vibrar em expectativa, sua boca salivava tanto que precisou engolir para não babar. Não esperou que Felix pedisse outra vez, ajoelhou-se entre as pernas, apoiando as mãos nas coxas e olhando para o pau dele.
Como era possível? Até o pau dele era lindo, suculento, grosso e perfeito para sua boca. Hyunjin gemeu só de olhar e Felix parecia não aguentar mais esperar, pois segurou seu cabelo e trouxe seu rosto para perto.
Lambeu o comprimento e abocanhou a cabecinha, mergulhando a boca devagar. Felix gemeu alto e abriu mais as pernas, ele segurava seu cabelo com tanta força que tinha começado a arder, mas Hyunjin não ligava, a única coisa que importava era continuar descendo a boca e engolindo tudo, era o que seu anjo merecia.
O gosto de Felix era tão bom que Hyunjin sentia a ansiedade crescer no peito, causada pela vontade de chupá-lo mais e mais. Já fazia tempo que Hyunjin fazia isso, mas por Felix? Ele queria botar tudo na boca, queria sentir o pau enterrado na garganta até sufocá-lo.
Forçou para baixo, tentando manter o ritmo controlado, mas não conseguiu, desesperou-se chupando cada vez mais rápido, até que ficou sem ar e começou a tossir enquanto os olhos lacrimejavam.
— Calma, meu lindo — Felix sussurrou, limpando suas lágrimas.
Hyunjin respirou fundo, assentindo e voltou a chupar o pau dele. Dessa vez, conseguiu manter o ritmo, subia e descia a boca molhada, saboreando cada pedacinho gostoso de Felix. Ele gemeu e se deitou de braços abertos na cama, enquanto Hyunjin não parava de chupar.
Era tão bom como o pau dele mergulhava em sua boca, fodendo cada pedacinho, contaminando-o com aquele néctar delicioso.
Soltou o pau de Felix em um estalo, e no mesmo instante, ele abriu as pernas, deixando a entrada exposta para Hyunjin. Sentiu o pau dentro da cueca latejar, doido para entrar ali, Hyunjin olhou para ele, encontrando a malícia em seu sorriso, e sorriu de volta, enfiando a língua no meio de sua bundinha gostosa.
Felix gemeu alto e empurrou a bunda contra ele, apertando suas mãos que seguravam as coxas, deslizou a língua ao redor e chupou, cheio de fome. Hyunjin nunca sentiu tanto desejo assim, seu corpo inteiro formigava e tremia de ansiedade para dar prazer a Felix, quem diria que seria tão bom ouvir aquele anjo gemer, chamando por seu nome.
Queria continuar chupando até ele gozar e encher sua boca de porra, mas Hyunjin não aguentava mais segurar aquela dor no pau, ele precisava de atenção, precisava enfiar ele inteirinho naquela bunda ou enlouqueceria.
Felix percebeu seu rosto sôfrego, clamando por atenção, e teve piedade. Segurou seu rosto e o puxou, até que Hyunjin se deitasse em cima dele.
— Agora está na hora de eu cuidar de você — murmurou, acariciando seu pau por cima da cueca.
Hyunjin choramingou, enterrando o rosto no pescoço dele. Estava tão sensível que seu corpo inteiro começou a tremer e ele achou que fosse gozar apenas com um toque. Mas devagar, Felix tirou sua cueca e acariciou seu pau quente, fervendo de uma febre que apenas seria curada quando ele estivesse dentro de Felix.
— Sempre fico chocado como seu pau é gordo assim, Hyunjin. — Felix olhava para seu pau enquanto acariciava, a boca dele estava vermelha e babada de tantas vezes que ele umedeceu os lábios ao olhá-lo. — É muito grosso, do jeito que eu gosto.
— Hm, Felix… — gemeu manhoso, abraçando o corpo dele e metendo na mão dele, necessitando de mais estímulos.
— Não tô aguentando segurar essa vontade de sentar em você, preciso fazer isso agora.
Felix deixou mais alguns beijinhos em seu rosto e o empurrou devagar, para Hyunjin se deitar.
— Ai, porra, que tesão — Felix disse, sem conseguir soltar seu pau.
Hyunjin olhou surpreso, enquanto seu coração palpitava. A boca suja de Felix não condizia com sua aura de anjo, mas Hyunjin estava amando aquela dualidade.
— Tira a roupa, vou pegar o lubrificante — Felix mandou, levantando-se para buscar o frasco.
Rapidamente, Hyunjin tirou suas roupas, sem deixar nada cobrindo, e segundos depois Felix voltou, também sem roupa nenhuma. Ele sorriu e espirrou lubrificante em seu pau, Hyunjin grunhiu ao sentir o líquido molhado e os dedos pequenos espalhando no comprimento.
Felix se ajoelhou na cama e passou as pernas para cada lado do seu corpo, ficando de costas para Hyunjin. Conseguia ver a bunda e as costas perfeitamente desenhadas, esculpidas pelo céu. Nada seria tão lindo quanto ele.
Hyunjin segurou seu pau para cima enquanto Felix encaixava na bunda dele. Prendeu a respiração quando a cabecinha entrou, aos pouquinhos, a bunda foi descendo, acolhendo todo seu pau. A entrada dele estava bem esticada, mas o acolhia bem, apertando ao seu redor.
Hyunjin sentiu as mãos de Felix apertarem sua coxa com força conforme ele descia e subia. Era lendo, ele parecia se acostumar com a largura, encaixando devagar, mas estava tão gostoso que Hyunjin não conseguia manter os olhos abertos, piscava várias vezes, querendo se afogar naquele prazer avassalador que corrompia sua alma.
Não demorou para Felix se acostumar com o tamanho e começar a subir e descer em seu pau com mais rapidez. Sentia as unhas dele afundarem sua pele conforme a entrada gulosa engolia seu pau. Era tão bom que foi impossível controlar seus gemidos manhosos, Hyunjin choramingou, puxando o ar dentre os dentes enquanto a bunda apertada comia seu pau.
— Meu Deus, meu Deus — Hyunjin murmurou, soltando um gemido profundo logo em seguida.
— Está gostando, lindo? — A voz de Felix saiu provocativa e não demorou muito para ele aumentar os movimentos, descendo cada vez mais rápido.
Hyunjin se engasgou e segurou a cintura dele, queria suplicar para Felix ter pena, mas a única coisa que conseguiu fazer foi puxar a cintura dele para baixo e impulsionar o quadril para cima, enfiando sua grossura naquele buraquinho gostoso.
Felix gemeu alto e começou a rebolar, mas era doloroso como ele circulava o quadril devagar, sufocando seu pau naquela tortura.
— Felix… Não faz isso comigo — grunhiu, tentando voltar a meter, mas ele pressionava com força, movimentando mais devagar ainda.
— O que foi, Hyun? — perguntou, olhando por cima do ombro. — Não está gostando?
— Para com isso — implorou, tentando meter na bunda dele, mas não conseguia.
— Poxa, se você não está gostando então eu paro — disse, levantando-se do seu colo e deitando na cama, de bunda arrebitada. — Uma pena, eu tava gostando.
Fingiu estar magoado, forçando um rosto triste, mas tudo aquilo só serviu para aumentar a pressão em seu pau, ele precisava sentir aquele aperto outra vez ou surtaria.
— Acho que me enganei pela sua aparência de anjo — falou entredentes, abrindo as pernas dele. — Você tá mais pra um capetinha, Felix.
Ele sorriu, afastando as bandas da bunda para Hyunjin entrar outra vez. Quando meteu, enfiou até o fim, todo o comprimento dentro dele, deslizou para fora e empurrou de novo, mais forte dessa vez. Felix soltou um grito, arqueando as costas e implorando por mais.
Era isso o que ele queria, deixá-lo maluco ao ponto de perder a cabeça.
Aproximou seus corpos e continuou metendo, Felix intercalava beijando seu ombro e seu rosto, enquanto o quadril batia com força. A bunda dele o apertava tão bem, tão macia e feita para ele, que Hyunjin perdia os sentidos cada vez que empurrava para dentro.
Enterrou o rosto no pescoço dele, choramingando e enfiando rápido. Felix acariciava suas costas, implorando por mais e dizendo o quanto ele tinha um pau gostoso, como o comia bem. Hyunjin grunhiu contra a pele, seus olhos lacrimejavam e as lágrimas escorreram.
— Me chama de hyung — Hyunjin pediu, fechando os olhos e empurrando com força.
— Hyung? — riu, segurando seu cabelo e acariciando. Felix gemeu baixinho em seu ouvido, fazendo seu estômago revirar. — Me come, hyung…
— Uh… Felix… — apertou os olhos, sem diminuir o movimento do seu quadril.
— Tô quase gozando, hyung — gemeu, apertando as pernas ao seu redor com força. — Mais forte, hyung, por favor…
— Ah… porra. — Hyunjin apertou o travesseiro embaixo de Felix e com a outra mão, segurou a cintura dele, metendo forte.
Algumas estocadas a mais e ele gozou, enchendo Felix com sua porra. Agarrou o pau dele e continuou socando, até Felix se desfazer em seus dedos, tirou o pau devagar, ouvindo-o choramingar e fechar as pernas.
Hyunjin se jogou na cama, exausto e em completo êxtase, nem conseguia acreditar que antes de entrar naquele quarto, estava se torturando pensando que tinha perdido todas suas chances com Felix, e agora sua mente estava completamente em branco, como se seu cérebro tivesse virado farelo de tanto tesão.
— Então quer dizer que você gosta de ser chamado de hyung, é? — Felix se aproximou para beijar seu rosto e roubar alguns selinhos.
Hyunjin olhou para ele com olhos bem abertos, suas bochechas deviam estar rosadas. Sua barriga embrulhou, era aquela sensação que o fazia congelar e perder as palavras, a mesma sensação que sempre sentia quando estava perto dele, desde que era criança.
— Só por você — confessou, virando o corpo para o lado e segurando o rosto dele.
Por causa das emoções que Felix despertava, Hyunjin sempre quis ser o hyung dele, cuidar e protegê-lo de tudo, do mundo. Mas agora Hyunjin achava que quem precisava de proteção era ele para lidar com aquele capetinha encarnado. Felix continuava surpreendendo-o, ele era uma caixinha de surpresas.
— Você quer ser meu hyung, então? — Felix sussurrou, acariciando seu rosto com o polegar e sorrindo.
Hyunjin queria mais, muito mais do que ser apenas seu hyung.
— Felix, eu… eu quero que a gente namore — revelou, seu coração batendo a mil.
Respirou fundo quando olhou para os olhos surpresos e o sorriso contido. Será que ele também queria ser seu namorado? E se ele não aceitasse? Era cedo demais para eles namorarem? Hyunjin achava que não, ele não queria perder tempo, a única coisa que ele queria mesmo era ter Felix para si.
— Namorar? — murmurou, e deixou outro beijinho em seus lábios. — Você quer ser meu namorado de verdade ou de mentirinha ainda?
— Eu quero de verdade, Lix. Quero namorar com você de verdade — disse, sem conseguir parar de olhar para aqueles olhos tão bonitos e que ele tanto amava. — Você quer?
Felix riu, esfregou o nariz no seu e beijou o canto da sua boca.
— Eu quero ser seu namorado de verdade.
Ao ouvir essas palavras, Hyunjin colou a boca na dele e aprofundou o beijo, beijando-o com todo o sentimento que vinha guardando ao longo desses anos.
A vida era mesmo engraçada, ou um caos, ele diria. Quem imaginava que o coração partido do seu melhor amigo resultaria em um namoro de mentira que fez toda sua paixão vir à tona. Agora, Hyunjin podia, finalmente, viver ao lado do seu amor de infância, o seu anjo, sua pequena fada, e capetinha que ele tanto amava.
Hyunjin teria Felix como sempre sonhou.
